Leticia Fadelli
O primeiro passo para a alimentação saudável dos bebês, é a pratica do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses. Passado esse período, se faz necessário a introdução de novos alimentos para completar a oferta de energia e nutrientes, e garantir o adequado crescimento e desenvolvimento infantil.

A introdução de alimentos complementares, deve ser realizada com calma, paciência e determinação. O binômio mãe e filho passa agora a aprender uma nova forma de convívio, a alimentação, que não ao seio materno.O processo é natural, mas algumas crianças resistem um pouco mais e podem se negar a comer nas primeiras tentativas, mas isso é normal e não inspira maiores preocupações. A mãe deve estar segura de estar fazendo o melhor para seu bebê, dessa forma fica mais fácil, e evitará tensões desnecessárias.A oferta de novos alimentos, deve levar em conta as preferências da criança, observando os sabores, texturas e quantidades que mais lhe agradam. Crianças em AME (Aleitamento materno exclusivo), tendem a aceitar melhor os alimentos, ainda assim é possível que recusem um ou outro alimento numa primeira oferta. Isso não significa que a criança não gostou, apensas o recusou. Para “bater o martelo” sobre a aceitação ou não da criança sobre determinado alimento, o mesmo deve ser oferecido de 8-10 vezes, em diferentes texturas, sabores, formas de preparo.

A introdução da “Alimentação Complementar” nada tem a ver com a interrupção do aleitamento materno, que deve ser mantido ate 2 anos de idade ou mais. (OMS)
Na impossibilidade de continuar amamentando seu filho, converse com o pediatra para juntos escolherem uma fórmula infantil que deverá ser oferecida a criança, até pelo menos 1 ano de idade. (O leite de vaca é de difícil digestão e o bebê pode apresentar reação ou alergia. Sugiro a leitura do post “Qual a diferença entre o leite em pó e o artificial? E qual a relação com o leite de vaca e o materno”)
A partir do momento que o bebê começa a consumir outros alimentos além do leite materno, ele deverá receber água para hidratação, sempre filtrada e fresca, a cada 1 hora em média.  Essa medida garante saúde e bom funcionamento do intestino do seu bebê.

prato
Introdução:
– Para iniciar a introdução de novos alimentos sugiro iniciar com suco de fruta em pequena quantidade. Em média até 100ml, sem açúcar, mel ou outros adoçantes. Esse processo deve ser realizado por 1 semana, e iniciado com frutas mais doces, que podem favorecer a aceitação.
Sugestão de sucos: laranja lima, mamão, abacaxi, melão, melancia.
Obs: Não diluir suco de laranja em água!
Não ofertar mais do que essa quantidade, para não atrapalhar o almoço futuramente.

– Passada a primeira introdução, deverá ser oferecida a papa de frutas, no lanche da tarde. Essa rotina deverá ser seguida por mais uma semana.
Sugestão de frutas: maca, pêra, mamão, banana.
Uma fruta ou meio mamão são suficientes para esse lanche da tarde.
Ofereça a fruta raspadinha ou amassada, em consistência cremosa ou purê. Bater ou processar diminuirá as fibras dos alimentos, podendo causar constipação intestinal.– Para o almoço, deve sempre ser oferecido um cereal ou tubérculo (arroz, milho, trigo, batata, mandioca, inhame, cará), uma proteína magra (carne, frango, peixe ou gema de ovo), e uma ou duas porções de verduras e legumes (beterraba, abobrinha, cenoura, abóbora, vagem, chuchu).
Os alimentos devem ser bem cozidos, amassados, misturados e servidos em forma de purê. As proteínas devem ser oferecidas bem cortados ou desfiados e fazem parte da alimentação saudável. Iniciar o preparo com um pedaço de 50g, evoluindo até 100g/refeição.

Poderá ser oferecido um suco de frutas, preferencialmente cítricas, após o almoço como sobremesa, para melhorar a absorção do ferro da refeição.
Sugestão: laranja, abacaxi, acerola, ou qualquer outro de preferencia da criança.

Fonte
Imagem: Natural Home-Remedies
 
A gema de ovo pode ser oferecida até 2 vezes por semana. Como forma de precaução, sugere-se iniciar com 1/4 de gema cozida e progredindo até 1 gema por refeição.

– Por volta de 7 meses seu bebê passara a receber o jantar, com mais uma papa salgada.
O cardápio seguirá o mesmo formato do almoço, fazendo algumas substituições de legume ou verdura para evitar a monotonia.

Tabela sugestao cardapio introldução alimentação complementar bebê

– Por volta de 9 -10 meses a criança ja adaptada aos novos sabores, poderá receber em pratinhos com divisórias, pequenas porções de cada alimento.
Para facilitar sua vida, seguem algumas dicas para auxiliar nesse processo: 
 
– Evite criar rigidez de horário, até agora o bebê pediu para se alimentar. Criar uma rotina, não significa se alimentar todos os dias em horários fixos.
– Compre legumes e verduras frescas, de boa procedência, para garantir a saúde de seus filhos. Os orgânicos ainda são as melhores opções.

– Faça um prato pequeno! O bebê esta acostumado a se alimentar de 3/3 horas, em pequenas porções. Esse é o primeiro habito saudável que ele aprendeu e deverá ser estimulado durante toda a vida. Poderá iniciar a papa, preparando em média 4 colheres de sopa, evoluindo conforme aceitação.
– Talheres de plásticos ou silicone, pequenos, podem facilitar a aceitação da criança. Não sirva colher cheia e de materiais como inox ou metal, estes são gelados e duros e seu bebe não foi acostumado a isso, podendo apresentar náuseas ou vômitos.- O ambiente de preparo e utensílios da alimentação do bebê, devem ser bem higienizados a fim de evitar contaminações. Separe os talheres do bebê, pratos, cumbucas, copos de transição e escovinha de higienização dos demais utensílios, deixe-os somente para uso de seu filho. Depois de limpos e secos, guarde-os em caixa plástica com tampa.- Preferencialmente prepare uma refeição por vez, isso garantirá refeições mais frescas, saudáveis e nutritivas, que fatalmente despertarão maior interesse de seu filho.

– Peixes devem ser oferecidos 1x/semana, escolha peixes sem espinho e sempre frescos (Cação, Saint Peter, Salmão). Converse com seu médico, para juntos avaliarem a melhor hora para a introdução, bem como a quantidade a ser oferecida. Lembre-se de informa-lo, caso tenha histórico de alergias ou dermatites pelo consumo de pescados.
– Ofereça alimentos em temperatura morna. Atenção. Não se deve ficar “assoprando” a comida por conta de contaminação cruzada(saliva), vento, poeira e animais, na casa da família.

– Não forçe a criança a comer, respeite seu tempo e suas preferências. O momentos das refeições deve ser o mais prazeiroso possível para estimular o apetite da criança.- Inicie a introdução de um novo alimento a cada 3-4 dias. Observe possíveis reações, se houverem, sempre comunique ao médico da criança.- Ao oferecer um novo alimento, procure estar em ambiente calmo, isso facilitará a aceitação do seu bebê.

– Lembre-se que comida de bebê é diferente, o “sem sal” para você, para ele já pode estar salgado demais. Ofereça as primeiras papas/refeições sem sal nenhum, use temperos naturais, em pouca quantidade (cebola, alho, cheiro verde, salsinha, cebolinha, manjericão).

– Lembre-se de usar pouco oléo, de preferencia os vegetais, canola, milho ou girassol. Uma colher de chá, para refogar os legumes, carnes e temperos, ja será suficiente.
– A criança está em fase de aprendizado, evite comer alimentos não saudáveis perto dela. A curiosidade faz parte do processo, seu filho pode querer uma bolacha que você estiver comendo, chorar e você acabará cedendo.

Alguns alimentos são contra indicados no primeiro ano de vida pelo alto potencial alergênico que possuem, e como forma de estimular hábitos alimentares saudáveis. Devem ser excluídos da alimentação do bebê nesse periodo, são eles:

– Verduras, frutas e legumes ricos em agrotóxicos (tomate e morango)
– Mariscos e frutos do mar
– Clara de ovo, a gema esta liberada com moderação.
– Leite de vaca
– Chocolates e achocolatados
– Amendoim, nozes e castanhas
– Embutidos e enlatados
– Mel
– Temperos prontos e molhos gordurosos
– Salgadinhos e frituras
– Refrigerantes, café, chás mate e preto

Em caso de dúvidas, converse sempre com o médico pediatra e se possível realize um acompanhamento nutricional.

As informações contidas nesse material, são de caráter orientativo e não substituem uma consulta presencial, onde a criança é avaliada de maneira global, valorizando suas preferências e características individuais.

Se tiverem dúvidas ou sugestões de posts, nos escrevam!

Tem dicas práticas no post da Aninha “Chegou a hora da papinha… e agora?”

Bjos

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.