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Essa pergunta parece um tanto absurda e realmente é, mas se você alguma vez falou com eles cerrando os dentes, levantou a mão, ameaçou bater, gritou e se descontrolou com o seu filho, provavelmente você sentiu raiva em algum momento.

Raiva por ele te desafiar, por você não ter conseguido prever aquela situação e evitar, porque se sentiu desrespeitado(a) e por não saber lidar com o ocorrido. A violência nada mais é do que não saber como resolver quando te faltam palavras, argumentos e você usa o instinto animal pra atacar quem te incomoda.

Se você já viu aquela carinha linda te olhando com cara de: “eu estou te irritando e te tirando do sério, você vai se descontrolar mas eu estou de boa aqui”, você sabe do que eu estou falando.

Talvez a maldade esteja mesmo na nossa cabeça. Talvez ele não tenha tanta consciência e não ache que ele “venceu” a disputa, mas você sabe que foi isso que aconteceu e se descontrola emocionalmente. Quando isso acontece, você perde a razão.

Mistura de sentimentos

Foi assim que me senti.

Tudo começou quando deixei a Clara em casa aos prantos porque queria levar a Bruna na escola, mas não tinha almoçado. Eu avisei, ameacei, tentei dar a comida, mas ela continuou me enrolando e ai tive que cumprir o que falei: que ela não iria. Como falei aqui outro dia, não vou mais atrasar a Bruna para a escola, custe o que custar.

Saí de casa com o coração partido. A Bruna, que já deu uma de João sem braço em casa dizendo que achava que era dia do brinquedo, levou uma monstrinha de pelúcia e disse que me entregaria na porta da sala. Eu concordei, porque já fizemos isso outras vezes. Chegando lá eu fui tirar a “monstrinha” dela e ela segurou firme. Eu pedi pra trocar com a mochila que eu levava, e ela continuou puxando, indo pra porta da sala. O fato é que tinham algumas pessoas na nossa frente e ela não estava se conformando de não verem ela com o brinquedo. Estávamos a alguns passos da porta e não exatamente na porta. (Contando parece bobagem, mas foi mesmo desafiador e irritante…). Eu comecei a perder o controle, segurei no braço dela, falei que ela tinha que me entregar e ela começou a me olhar com aquela cara de: “Não to nem ai, vou te entregar só na porta porque eu quero que me vejam com o brinquedo”. Troquei mais algumas palavras, mas não estava adiantando. Me senti desafiada, desrespeitada e mesmo depois de pegar o brinquedo ela me olhava com aquele ar de desprezo, e então eu ameacei na próxima vez dar um beliscão nela (AFFF) e saí de lá P*** da vida. (a louca descontrolada)

Foi aí que comecei a refletir sobre a RAIVA, porque sim, eu estava com raiva de como ela olhou pra mim e de como eu não soube conduzir a situação. Antes de me achar vítima de uma criança de 4 anos comecei a me questionar o que havia feito de errado e porque eu sentia que ela tinha “vencido a batalha”. (Eu não queria vencer batalha nenhuma, eu queria que não houvesse uma pois sempre conversamos e chegamos a uma solução justa.)

O exercício é o seguinte: eu mentalmente finjo contar a história para uma psicóloga ou alguém engajado com attachment parenting (criação com apego, que prega a não-violência). O que essa pessoa me falaria? Em que momento eu não soube conduzir a situação? Minha cabeça fervia.

Analisando os erros

Acho que o meu primeiro erro foi ceder ao pedido de levar o brinquedo para a escola. Não é dia, então não tem que levar. (Já fiz isso outras vezes e ela só levou no carro. Acho uma saída)

Porque ela estava querendo mostrar tudo pros amigos? Seria só fase ou alguma carência e necessidade de chamar a atenção? O que está falando? Porque ela quer que olhem pra ela?

Bom, acho que descobri que a origem do comportamento é a falta de atenção em casa. Como falei no post sobre ciúmes do bebê, ela está bem carente. Mesmo em um dia como hoje que a levei no parquinho de manhã, colhemos amora do pé e ela teve mais atenção do que em outros dias, ela carrega lá no fundo alguma carência.

Se essa hipótese estivesse errada, qual foi o segundo erro? Porque eu me descontrolei com o olhar desafiador dela? Preciso deixar clara as regras do que foi combinado. Eu deveria abaixar e pedir que ela me entregasse o bichinho com toda a calma do mundo? (mesmo com o coração partido e com pressa por causa da outra que ficou em casa chorando?)

Não sei a resposta pra tudo. Infelizmente ainda não sei resolver sem me desequilibrar e gritar, sem querer segurar no braço ou fazer ameaças de que vai deixar de fazer isso ou aquilo, que vai deixar de comer isso ou aquilo (pausa: a base de troca aqui muitas vezes é fruta, tomate, pepino e na pior das hipóteses yacult, mas mesmo assim é chantagem). Tento com algum custo abolir esse comportamento mas as vezes não consigo e perco a razão.

A Bruna (aos 4 anos e 10 meses) é muito obediente e tenta sempre dar o bom exemplo para as irmãs, mas já lançou um olhar de desprezo digno de adolescente. A Clara (aos 2 anos e 8 meses) está na fase desobediente. Eu falo, uma, duas, três vezes e entra por um ouvido e sai pelo outro. Ela precisa que eu pare tudo e faça junto. (Parece obvio, afinal ela só tem 2 anos, mas na prática acabamos esquecendo disso) Reflexão: Será que eu não estou querendo demais que ela me obedeça quando falo a primeira vez mesmo sem me envolver com o que proponho???

Já percebi que não adianta dar ordens se eu não estiver disponível pra as minhas filhas. Por exemplo: Não adianta ficar no celular ou no computador mandando que elas peguem os brinquedos jogados enquanto passa desenho na televisão. O desenho vai distrair e se eu não estou em cima cobrando, não vai ser feito.

Precisamos parar o que estamos fazendo para nos comunicarmos com as crianças. Olho no olho, sem telas, sem obstáculos, sem distração. Por aqui tem muita coisa errada, mas já consigo refletir e ter uma visão crítica, quase que como de alguém que está de fora analisando. Acho que é o começo.

Inspiração / Aprendizado

Quando cheguei em casa e abri o facebook dei de cara com o vídeo do Thiago Queiroz, o Paizinho, Vírgula sobre o Cantinho do Pensamento, que me fez refletir.

 

A quem se interessar, o Paizinho, Vírgula tem ótimos textos a respeito da Disciplina Positiva, um meio termo entre o autoritarismo e a disciplina permissiva. Segue trecho abaixo:

Antes de qualquer coisa, é muito importante esclarecer que aqui não estamos falando em métodos ou estratégias para termos as soluções de todos os nossos problemas. Quando falamos em disciplina positiva, não falamos em fórmula mágica. O que fazemos aqui é discutir como enxergar os nossos filhos e como pensar na relação que temos com eles de uma maneira diferente. À medida que começamos a avançar nessas reflexões, a disciplina positiva passa a fazer muito mais sentido, assim como todas as ferramentas que podemos utilizar para educar nossos filhos de maneira respeitosa e afetiva, através do nosso vínculo.

Via Paizinho, Vírgula! –  http://paizinhovirgula.com/disciplina-positiva-primeiros-passos/

Vale a pena estudar a respeito. É difícil com um filho, com dois ou mais, mais ainda, mas acho que é o caminho que precisamos tentar seguir, mesmo com alguns tropeções.

Boa sorte pra nós nessa arte de educar! E paciência para os desafios.

Foto de destaque: mulher brava em Shutterstock 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.