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Fiz uma cirurgia de retirada da vesícula (colecistectomia) e conto como tem sido a recuperação da cirurgia por videolaparoscopia.

Cada pessoa reage de uma forma e cada organismo é único, e por isso quando falamos que determinado procedimento é tranquilo e que tem recuperação rápida, pode ser um pouco decepcionante para outra pessoa se não for tão tranquilo assim. (pensei nisso quando contei como foi tranquila a colocação do meu DIU Mirena)

Assim como falei em relação ao parto normal, se você não está preparada para uma recuperação de um procedimento, você acaba achando que a recuperação da cesárea pode ser mais tranquila, quando na verdade você está psicologicamente preparada para ter sua barriga cortada e costurada, mas não está preparada para, se necessário, levar uns pontos no períneo ou lidar com a dor no cóccix. Por isso, para minimizar os efeitos adversos dessas horas devemos estar preparados ao máximo. E mais uma vez, eu não estava.

Contei nesse post como eu fiquei ansiosa pois não sabia como seria minha primeira anestesia geral. E isso foi o de menos. Realmente não sabemos de nada que acontece com a gente. Simplesmente dormi e acordei sem as pedras, completamente limpa e sem qualquer sinal de sangue. Os únicos indícios da cirurgia eram os curativos na barriga e o potinho de pedras.

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A cirurgia de colecistectomia por videolaparoscopia

A cirurgia de retirada de vesícula é simples e a alta do hospital muitas vezes é dada no mesmo dia, mas continua sendo uma cirurgia e por isso requer cuidados.

Sendo possível, a indicação é a cirurgia por videolaparoscopia, pois há menor risco de infecção e também recuperação mais rápida.

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Como em todo pós-operatório, alguns inconvenientes podem acontecer:
Dor no ombro

Quando é feita por videolaparoscopia, é injetado gás carbônico na cavidade abdominal para que o médico tenha espaço para trabalhar. Esse gás pode irritar o nervo diafragmático, e irradiar através de conexões nervosas até o ombro direito, provocando uma dor que pode variar de intensidade leve a muito forte. (fonte 1,2)

Experiência Primeiro Dia: Eu estava me sentindo ótima, exceto pelos gases. Fiz snaps, falei mais do que devia, caminhei pela sala para ver se melhoravam os gases, mas acho essa movimentação fez irritar mais ainda o nervo. O médico perguntou por volta das 18h (na alta) se não tive dor no ombro e falei que não. Às 22h começou a doer. Deu uma espécie de cãibra, e senti repuxar todo o ombro e costas. É horrível! Chorei de sentir o rosto todo molhado, gritei pelo meu marido que massageou e me deu remédio. Passou a dor, mas não conseguia encostar pois faltava ar e repuxava. Dormi a primeira noite sentada no sofá e não conseguia reclinar ou estender o corpo. Isso foi melhorando com o passar do dia seguinte (24 a 36h após a cirurgia).

Equimose 

Diferente do hematoma (que acontece com um sangramento ativo), a equimose acontece quando o sangue de pequenos capilares danificados extravasa e penetra no tecido.
Esse sangue extravasado e coagulado sob a pele pode formar “caroços” que serão reabsorvidos com o tempo. Não é possível afirmar em quanto tempo ele some, pois depende de cada organismo.

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Experiência primeira semana: Passei o dia seguinte ao da cirurgia deitada o dia todo (já que eu conseguia reclinar sem dor, aproveitei! Fiquei bastante desmotivada (leia-se deprê) nessa semana, em especial nos 3 primeiros dias. Via meu corpo deformado, inchado, barriga estufada e com gases. Intestino não estava funcionando bem, eu estava preocupada em não furar a dieta e evitar todo tipo de gordura. Não me arrumei, passei o dia pálida e isso me fazia mal.

Além disso não conseguia amamentar por muito tempo, pois a Alice já se mexe muito, sobe no meu colo e acabava apertando os curativos ou se apoiando no meu umbigo pra levantar (1 ano e 3 meses).

No quarto dia me arrumei e saí para passear com a família (sem ficar carregando peso) e fomos até pra SP.

Com 5 dias da cirurgia fui levar e buscar as crianças na escola, fazer compras no hortifruti e tudo foi voltando ao normal (só o corpo e aquele caroço roxo que não).

Retornei depois de 6 dias da cirurgia no consultório e o médico me explicou exatamente como foi a cirurgia e os cuidados na finalização do procedimento. (Contou até que o anestesista estava mostrando meus vídeos do blog na cirurgia. Hahaha Lembrei que falei do blog quando ele comentou que a esposa estava grávida e eu estava quase apagando com a anestesia).

Também falou sobre a equimose no umbigo e no furo superior (próximo ao estômago, por onde tiram a vesícula)  e por isso, me pediu para estender o período afastada de atividades físicas de 15 para 30 dias, até outro retorno. Nesse dia ele verificará como foi a reabsorção e se estou apta a voltar.

Cuidados com a pele e cicatriz

Entrei em contato com a minha dermatologista (Dra Daniela Leal) logo após o retorno com o médico cirurgião e pedi orientações para melhorar a aparência dos “hematomas” e também da cicatriz. Ela me indicou passar hirudoid em movimentos circulares para ajudar a acelerar a absorção, e CicaPlast na cicatriz do corte.

O cirurgião

Como falei no outro post, escolhi o Dr Otávio Galvão pois ele aceitava meu convênio médico aqui em Campinas. Descobri por indicação de uma mãe no grupo da Poly e da Mi (Mães Amigas). Fiquei super satisfeita e ele foi super atencioso nas explicações das minhas dúvidas.

Alimentação

No pós-operatório imediato mudei minha alimentação – fiquei por exemplo uns dias sem comer salada – com medo de exceder no azeite e me arrependo. Acabei comendo mais carboidratos e fiquei constipada.

Se hoje eu fosse refazer (ou fazer outra cirurgia por vídeo), tomaria os seguintes cuidados:

  • Falar menos no primeiro dia (como na cesárea sabe? O intestino ficou preguiçoso 3 dias)
  • Beber muiiiita água
  • Evitar excesso de carboidratos e açúcar
  • Continuar comendo azeite (Eles falam de evitar gorduras, mas o azeite geralmente pode. Claro que algumas pessoas ficam mais sensíveis que outras).

Um vídeo que me ajudou e achei muito legal foi esse:

Com esse caroço roxo ao redor do umbigo e a impossibilidade de realizar exercícios, acabei comendo mais do que devia e muitas porcarias que eu tinha tirado da minha alimentação (doces, refrigerante, excessos). Acho que acabei descontando um pouco a frustração na comida, sabe?? Mas depois que tudo voltar ao normal com meus exercícios, retomo com os cuidados diários.

Bjsss

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.