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Outro dia fiquei me perguntando quando foi que a festa infantil se perdeu. Teatros que custam 4 dígitos, decoração com 5 dígitos, buffets com serviços inclusos caríssimos. Eu entendo que quanto mais especializado e profissional o serviço, mais caro ele custa. E não acho errado. As empresas oferecem serviços e quem pode, paga por eles. Cada um com seu bolso. Eu nem pesquisei pois não é a linha de coisas que procuro, que gosto e que cabe no meu bolso.

O que eu acho mais estranho é que algumas famílias encaram as festas de aniversário como antes acontecia a festa de debutante. Vídeos de retrospectiva, mesas enormes com arranjos florais dignos de casamento, entre outras atrações. Até chinelos personalizados para as crianças. Pra quê? Até onde eu me lembro os chinelos surgiram nos casamentos para que as mulheres se livrassem dos saltos com a aprovação da noiva, e aproveitassem até o fim a festa tão idealizada, sonhada e única na vida de uma mulher (ideologia, ta?). Pra que uma criança vai dar um chinelo com o nome dela pra amiga? Não é um tanto estranho?

O negócio hoje em dia é: realizar sonhos. Mas perai: as crianças tem sonhos desse tamanho ou é uma realização dos pais? O que faltou para esses pais na infância deles, que precisa dar tanto para os filhos? 

Não estou falando de um caso ou outro, mas do exagero que anda acontecendo.

Como uma mãe de menina, serei uma das 927382893290 pessoas que farão uma festa com tema Frozen esse ano. Em pouca pesquisa que fiz já vi de tudo. A festa maravilhosa da Rafaella Justus assinada pela top Andréa Guimarães e convites da Adriana Faralli, foi uma delas. Vocês podem ver nas fotos abaixo que foi uma super produção e na época choveram críticas, mas como eu disse, cada um sabe do seu bolso e suas vontades. Não tenho dúvidas que os serviços contratados foram os mais tops e bem executados e  essa família pode manter isso por uma eternidade.

Já outra “decoradora de festas para clientes exigentes”, como ela mesma se define, fez a festa da filha com direito a ensaio fotográfico e pôsteres espalhados pela festa, vasos e paredes revestidas, entre outras coisas. Pra ela não custou tanto quanto custaria normalmente pois é um ótimo case para o portifólio, mas foi outra produção surreal! Ela deve ser super high-society de Goiânia. A mesa dela foi a minha grande inspiração para fazer a mesa da Bru, usando as 2 bonecas da Anna e da Elsa ainda pequenas. A diferença é claro, vai ficar na produção top ultra que tinha por trás e na minha no melhor estilo “festa em casa” que eu adoro. Mas o grande problema não foram os pôsteres espalhados e a mega produção… aquela menina linda de seus (chutando, ta?) 5 ou 6 anos, estava com um vestido top feito sob medida, MAQUIAGEM E CABELO típico de salão. Gente! Apesar de as fotos estarem disponíveis em um perfil público do Instagram, decidi não ilustrar aqui a festa linda dela, para não expor a empresa, a mãe e principalmente a criança.

A Bru adora a idéia da neve, mas nunca foi até um lugar que tinha neve de verdade (e sempre pede). Pensa que legal uma máquina soltando floquinhos de neve e vento gelado? Sensacional, né? Mas ESPERA! É um aniversário de uma menina de 4 anos. Sabe quando eu ia fazer uma produção cinematográfica dessas? Nunca. Mesmo que eu ache o máximo, eu acredito que tem que ser menos, bem menos.

Já li também sobre contratar um serviço de filmagem e edição para fazer um clipe da filha se transformando em Frozen para passar na festa. Oi? É sério?

A intenção desse post não é expor ninguém, muito pelo contrário. Essas super produções são feitas por profissionais de alto gabarito, mas será que é normal e faz bem realizar uma festa desse nível todo ano? Um dia foi Princesas, esse ano foi Frozen… sempre teremos produções e magia Disney para nos inspirarmos, mas não acham que mesmo cedendo a temas como esses precisamos de limites? Eu já cheguei a pensar em não fazer festas com temas de desenhos cheios de produtos licenciados, mas as meninas gostam tanto (e eu também), que não vou voltar atrás, mas tenho limites. No bolso e no bom-senso.

Pais, ponham a mão na consciência! E se no ano que vem vocês perderem o emprego, a empresa quebrar, o bolso ficar vazio? (Deus nos livre, mas não sabemos o dia de amanhã). Vocês vão conseguir fazer com que o seu filho se contente com um parabéns e um bolinho em casa, cercada dos familiares e brigadeiros que vocês acabaram de enrolar?

O problema – a meu ver – não é contratar o melhor decorador, escolher o melhor buffet e os melhores docinhos e fazer um convite maravilhoso. Isso sim cada um paga o que pode. O surreal é fazer a criança viver um conto de fadas a cada ano… achar que realmente é uma princesa, fazer com que ela acredite que aquilo tudo é natural. Que pode usar maquiagem, ir no salão, usar salto, acessórios. Fazer das crianças pequenas misses não é natural. Não é. E privá-la disso não é privá-la da infância e de sonhos. A infância é muito mais do que isso. Viver a infância é correr, brincar, pular, contar histórias, ir pra casa da avó, viajar, não ter contas a pagar e não ter compromissos além de amar e viver intensamente.

Bjos de uma mãe com o coração mais leve.

Para quem discorda desse texto: A criança já faz isso nos outros 364 dias do ano e você escolheu o dia do aniversário para transformá-la no que ela quiser? Ok. Cada um acredita no que quer. Eu não gosto e uso o meu espaço pra comentar o que acho disso tudo: Um grande exagero. 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.