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Você espera 9 meses. Tem enjôos, queimação, inchaço, dores, faz repouso. Tenta controlar a ansiedade, come doces e depois é proibida de comer os tais doces. Tenta controlar o ganho de peso.
As pessoas, sempre as pessoas…. Elas ficam observando se você engordou muito ou pouco, se está linda ou inchada, se continua se arrumando ou se só porque está grávida ficou desleixada.
Compara o tamanho da barriga da fulana, o inchaço da ciclana, a disposição da irmã, da amiga, da prima.

Aí finalmente chega a hora. A SUA e a DELE. O bebê nasce. A mãe sofre uma descarga enorme de hormônios, -medicações-, informações. O leite finalmente desce.

Do dia pra noite tem que aprender a amamentar, cuidar de um recém-nascido e não esquecer que ela também precisa de cuidados. E a família vem com os pitacos. A mãe não quer mostrar que não sabe, ela quer saber cuidar do filho. Tudo parece natural a ela, até porque ela está vivendo o momento e aprendendo a cada minuto, só que os mais experientes têm pressa em demostrar como deve ser feito e não esperar o instinto materno falar.

Aí a falta de sono (que todo mundo avisa, mas a gente só sabe depois que sente na pele) mostra que você não é mais a mesma. Você fica impaciente, chata. Você percebe o quanto está irritada, mas não consegue se controlar. É mais forte que você. É justamente nessas horas que precisamos contar com a experiência da sogra e da mãe e ouvir delas um sonoro: “Fica tranquila, que é assim mesmo. Vai passar” ou “Filho, tenha calma porque não é fácil pra ela.”

PAPAIS, saibam que o primeiro mês de vida do bebê é muito complicado para a mãe. Claro que vocês também sofrem muito com as mudanças mas a falta de sono, a pega no seio, o ganho de peso no fundo a mãe é quem tem que resolver. Vocês podem ajudar sim: acordando de madrugada, colocando o bebê pra arrotar, mas principalmente permitindo momentos de sossego e tranquilidade para a mãe. Se ela brigar, releva. Se ela estiver chata, não continue a discussão!!! Depois de 40 dias melhora, juro!

Quando brinquei no título o ‘pós-parto da mãe, do pai, da sogra’, é por isso. Só quem sabe o que sente é a mãe, mas não existe pós-parto sem o marido, a mãe, a sogra. Todos estão envolvidos nesse processo; em algumas famílias mais em outras menos.

As dores, as inseguranças, medo, vontade de chorar, não saber se está fazendo certo mas ao mesmo tempo saber que está fazendo o possível. Esse é o pós-parto, independente de qual tipo de parto for. Pós-parto não é um pós-cirúrgico qualquer. Se fosse assim nenhuma mãe “de parto normal” teria insegurança, medo, dúvidas, não ia se estressar e ter vontade de chorar. Pode ser que em números, a depressão pós-parto seja mais incidente em mulheres que fizeram cesariana, mas não vou entrar nessa questão, até porque achei que no meu pós-PN fiquei mais angustiada e despreparada que no meu pós-PC. Acho que está sim relacionada a auto-confiança no processo como um todo e no empoderamento da mulher.

Muitas mães no pós-parto podem passar por um processo chamado Baby Blues, que é quando essas dúvidas, a vontade de chorar, melancolia tomam uma proporção um pouco maior e incontrolável, mas dura poucos dias, alguns dizem até uma semana, outros até um mês. Fato é que acaba sem a ajuda de medicamentos.

Já a depressão pós-parto é um processo mais grave, que tende a piorar com os dias. Os sentimentos “ruins” são cada vez mais fortes. O que antes era variação de humor passa a ser perda de humor, o choro involuntário é constante e a mãe precisa de acompanhamento médico.

O importante é estar sempre alerta aos sintomas e pedir ajuda da família. Algumas horas contínuas de sono são fundamentais para a sanidade mental de qualquer pessoa, principalmente uma mãe parturiente.

Como se não bastasse a auto-cobrança pelos cuidados com o bebê, também precisamos voltar à forma rápido, ainda mais depois de escutar da visita na maternidade que “parece que ainda está gravida de 5 meses”. Quem disse que seria fácil?

É mesmo muito dífícil, mas a boa notícia é que passa!

A todos, pedimos: um pouco mais de paciência!

 

bjssssss

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.