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No meu post anterior, descrevi a relação materna e a sua importância no desenvolvimento de um bebê. Mas hoje discorrerei sobre outra figura fundamental no crescimento de uma criança: O PAI.

Antes de nascer, o bebê já existe no espaço imaginativo dos pais, para posteriormente ser concebido de maneira real. Vivendo ainda dentro da barriga, o bebê normalmente já tem nome, roupas, quarto, utensílios, acessórios, brinquedos, etc. O ambiente familiar se prepara para a chegada de um novo membro que ainda está por vir. Ao nascer, a mulher atua como mãe e realiza seu papel espontaneamente, sendo impulsionada e guiada pela intuição e instintos maternais.

Depois da mãe, a primeira pessoa a quem a criança se apega fortemente, em geral, é o pai. A diferenciação que o filho faz entre essas duas figuras parentais provavelmente começa muito cedo, uma vez que, desde o começo, para a criança, o pai fala, age e tem cheiro diferentes da mãe. À medida que a criança vai amadurecendo esse relacionamento, há também uma consciência cada vez maior por parte do filho de que o afeto ligado ao pai difere em qualidade do afeto materno. O amor paterno é algo mais contingente, condicionado à aceitação de certos valores e padrões de formas de conduta. Para a Psicologia, o pai está comprometido na transmissão dos valores aos filhos, além das crenças, atitudes da sociedade, regras e limites. O pai é considerado também o portador do sobrenome, força física e sentido de família.

Enquanto a natureza prepara a mulher para uma série de etapas corporais – concepção, gravidez, parto e amamentação –, celebrando fases naturais da passagem de mulher para mãe, o homem, por outro lado, se prepara para assumir atitudes sociais e afetivas para um pequeno ser.

Ao se tornar pai, este recapitula sua própria infância e, ao fazê-lo, surge a oportunidade de reviver e resolver com o filho os fracassos ou desvios de desenvolvimento resultantes de seu próprio passado (sua relação com seu próprio pai). Mas, independentemente de sua vivência ter sido positiva ou negativa, seu objetivo principal é fomentar o amadurecimento biopsicossocial de seu filho, sensação de autoconfiança e referência externa. Após a nutrição materna é o pai que passa a nutri-lo, preparando o filho para o mundo. Chega o momento de o filho sair da proteção materna e se diferenciar como personalidade única e separada, por isso o pai entra em cena para realizar esse “corte”.

Ser pai não é apenas um ato social e biológico, mas um ato formal que envolve também uma preparação pessoal para assumir essa nova função. Por isso, a paternidade não consiste apenas conceber uma criança com uma mulher, mas a concretização do desejo de ser pai – ter responsabilidade pelo filho e aceitá-lo como seu. O que importa é ser pai, e não genitor; é cumprir o ato de criar, educar, impulsionar e transmitir valores e condutas sociais. É mostrar ativamente sua vontade de se tornar pai, partindo-se por um ato de vontade.

Na maioria das sociedades, o pai age como a ponte entre a vida familiar e a vida da sociedade. Ele incentiva o desenvolvimento das competências necessárias para a boa adaptação adulta e, ao mesmo tempo, comunica à criança os valores e costumes prevalecentes no sistema social.

Ser pai não é apenas gerar fisicamente e oferecer bens materiais, e sim um ato de afeto e adoção do próprio filho. O pai deve fornecer amadurecimento, diferenciação e autonomia aos filhos.

 

 

Sobre Lilian Britto

Graduada em Psicologia pela Universidade Salvador – UNIFACS e pós-graduada em Psicologia Analítica pela Psiquê - Centro de Estudos C. G. Jung, atua como psicóloga clínica com crianças e adolescentes. Além de coordenadora de cursos da Clínica Psiquê, presta trabalho voluntário na Fundação Lar Harmonia junto a crianças carentes. Apesar de ainda não ser mamãe, é apaixonada por crianças e, por isso, dedicou e dedica a sua formação profissional nesse fantástico mundo infantil.