Deixar ou não deixar o bebê chorar? Eis a questão. Como a vida é cheia de aprendizados, lá vamos nós para mais um capítulo da maternidade .

Antes de ter minha primeira filha, eu escutava “o povo” dizer – eu acreditava – que o bebê tinha que dormir sozinho e se fosse necessário deixar chorar para acostumar, que deixasse. Aí minha filha nasceu, mamou direitinho, e consegui sem maiores dramas que ela dormisse sozinha no berço. Nunca pratiquei com ela cama compartilhada. Mesmo desmamando só aos 10 meses, ela mamava e dormia sem me dar trabalho. Depois que foi pra mamadeira, a mesma coisa. Alguns dias ela reclamava no berço que não queria dormir mas logo se cansava e dormia. Juro que era sem sofrimentos!

Aí veio o segunda filha. A Bruna saiu do berço para a cama aos 2 anos e a noite começou a ser mais complicada. Ela simplesmente decidia que não estava a fim de dormir, descia da cama e voltava pra sala. Assim ficamos, sem rotina severa, por mais de 1 ano.

A Clara nos primeiros meses dormia super bem, a noite toda. Por diversas vezes eu a coloquei no berço acordada e irritada e ela ficava calma e dormia. Em algum momento ela começou a acordar a noite e – a culpa da mãe bate à porta – eu juro que não sei o que fiz “de errado” dessa vez. Claro que cada criança é de um jeito, cada filho vive quando bebê um momento diferente da família, mas “a coisa” perdeu o rumo e eu não sabia mais como consertar (ou será que não queria ser firme?).

As noites de sono de 8 horas começaram a durar cada vez menos e no mês passado tivemos noites de acordar praticamente de hora em hora (o que pra mim era lenda!).

Notei um dia desses que ela dormiu um pouco melhor quando o sono da tarde foi mais longo (Já falei nesse post “O sono dos bebês e o desgaste dos papais” sobre isso), mas ela quase nunca dorme mais do que 40 minutos durante o dia, então ficou difícil fazer alguns testes como esse.

Tentei reforçar a mamada (com peito mesmo, já que mamadeira ela só aceita com outras pessoas), mas ela acordava choramingando e ficava em pé no berço aos berros até que alguém a acudisse. Algumas das vezes bastava um SSSSHHH, uns tapinhas no bumbum ou colocá-la de volta deitada. Outras, precisava mamar. Nas madrugadas intensas e cansativas, ela já ia para a cama compartilhada e mamadas em livre e qualquer demanda.

Ela sempre sugou muito forte, mas nos últimos dias meu seio tem ficado dolorido de tão forte que ela puxa, e comecei a repensar se não era hora de parar. Chega a me machucar, e aquela mamadinha de lado deitada na cama no meio da noite deixou de ser prazerosa. Nessa última semana eu tinha que tirar o peito, virar pro outro lado e falar: “Chega!! Está doendo e você já mamou. Agora dorme!” Que má, né? Mas era necessário.

Acontece que desde a gravidez da Clara, meu pensamento quanto ao parto, cama compartilhada, amamentação prolongada mudou um pouco e eu queria seguir a linha mais “natureba” de ser, claro que dentro da minha realidade. Amamentação, colo, aconchego nunca foram poupados por aqui, mas a chupeta também não.

Meu marido começou a falar nessa semana que eu deveria desmamar a Clara, porque ele viu que deixou de ser tão prazeroso como era e comecei a pensar seriamente se realmente não era a hora. E ele acha que a Bruna era mais tranquila porque não era tão dependente do peito e de mim. Eu, conhecedora dos benefícios da amamentação, com amigas e colegas ativistas, fiquei dividida porque sei que não está fácil (principalmente pra mim) e que é hora de tomar as rédeas, mas queria deixar a coisa fluir naturalmente.

O “deixar chorar” estava descartado aqui em casa há muito tempo mas ontem a necessidade falou mais alto. (Vale lembrar que a Clara tem 1 ano e 1 mês. Não se faz isso com um bebê de alguns dias, 1, 2, 3 meses!!)

Eram quase 23h e as meninas não queriam dormir. Eu dei uma relaxada na rotina essa semana e isso atrapalhou muito!!!! Uma vez estabelecida, quando é furada é pior do que quando não temos. Foi um sufoco. Quando vi que meu marido abriu o computador pra trabalhar, eu resolvi que faria o mesmo pois não “perderia” 1 hora tentando, me desgastando e cansando pra depois ter que trabalhar de madrugada.
Pois bem. Sentei e ia deixar as meninas na nossa cama por mais um tempo acordadas, mas ele resolveu fechar o computador e ajudar. Fiz a mamadeira da Bruna (3 anos) e quando voltei para o quarto ele estava fazendo a Clara dormir, super concentrado com ela abraçadinha no colo + fazendo SSSHHHH. Um ruído no corredor e a Clara começou a choramingar. Parou de novo. A Bruna resolveu descer da cama e me chamar. Pronto! A Clara acordou de vez.

Meu marido veio enfurecido no quarto falar que ela tinha acordado a irmã mais uma vez e voltou para fazê-la dormir. Deu colo, fez SSSHHH, deu uma balançadinha, uma balançadona e nada. Parecia que ela tinha levado uma surra de tanto que gritava, berrava! Eu com meu seio dolorido, não queria ir até lá e dar mamá. Já tinha dado cerca de 1-2h antes e nesse momento tinha feito uma mamadeira e ela não quis. Ele foi perdendo a paciência e no auge do stress – entre berros e mais berros dela – deu uma baita de uma bronca, a mandou dormir, saiu e encostou a porta.

Eu queria ir até lá e ele falou pra não ir e deixar. Não contamos os minutos, mas ela berrou por mais alguns, até que o silencio tomou conta da casa. Eu tranquila, ele nem tanto. Foi até a porta do quarto dela e voltou: “Ela está soluçando!”. Abrimos a porta, ele foi até o berço, fez um carinho, voltou e saiu do quarto chorando, se sentindo a pior pessoa do universo por ter feito aquilo com a pequenina dele.

Entrei, ajeitei o cabelo dela suado pra trás, fiz carinho enquanto assoprava o rostinho e sai. Ela ainda soluçava. Quase a peguei no colo e dei mamá, juro! Mas ela estava completamente apagada e meu seio dolorido. Veio a culpa por não ter segurado a rotina direito, por ter mil coisas na cabeça e não dar prioridade, mas passou.
Passou porque mais cruel que possa parecer, funcionou.
Passou porque são 02:30 da manhã e não escutei mais NENHUM PIO dela, coisa que há meses eu não sabia o que era. Ela estava com o sono super leve e qualquer coisa a acordava.
Passou porque não somos perfeitos, fazemos o possível e temos o direito de errar e estressar. E acertar. E tentar de novo. 

Inacreditavelmente ela está dormindo na mesma posição, sem dar mil piruetas no berço, sem levantar, sem choramingar ou acordar. Até entrei no quarto pra tirar foto, viram que evolução?

Como será o amanha? Responda quem puder. Rsrs

Bjsss

Mas às 2:45…. buáaaaa…. De início colo e chupeta. Acalmou, e em seguida ficou brava de novo. Queria mamar. Tentei a mamadeira morna. Nada. Água, 5 golinhos. Colo, nada. Estava com cocô na fralda. Tirei, lavei, troquei. Esquentei a mamadeira e ela tomou quase 100mL, deixou e dormiu! De chupeta, a coloquei de volta no berço. 03:10…. boa noiiiii ZZZzzzZZzzzZZZzzz

05:30 de novo… Nada de mamadeira, um gole de água, choro. Falei séria (dando bronca, cansada) que ela tinha que dormir e coloquei no berço. Marido acordou, foi lá e ela ficou quietinha e dormiu.

08:30 BOM DIA!!! Clarinha ganhou mamá da mamãe!

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.