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Com o nascimento da Alice me perguntam se as meninas (Bruna, 4 anos e meio; Clara, 2 anos e meio) tem muito ciúmes da bebê. Não, não tem. Elas amam a irmã de uma forma linda. Toda hora querem dar o colo, carinho, trocar fraldas. Elas realmente GANHARAM uma irmã.

O grande problema da chegada da Alice é que enquanto passo horas do dia amamentando, me distraio com o celular na mão e por isso elas tem sentido minha falta. Mas como falei acima, não é ciúmes da irmã e sim carência de atenção de mãe.

Por mais que pareça a mesma coisa, não é. Muitos irmãos não sabem lidar com a atenção dividida e descontam no bebê. Não era o que estava acontecendo. Com a Alice era só amor, carinho, cuidado por parte delas, mas eu não estava fazendo a minha parte com as maiores. Ao invés de amamentar em um braço e dar comida com o outro olhando nos olhos dela, eu ocupava a mão com o celular e ficava: “come logo, come! Anda.” 30 minutos se passavam e eu ainda estava no celular e o prato cheio.

Tivemos a casa movimentada por muitos dias! Quando a Alice nasceu, estávamos com as duas avós aqui em casa. Minha mãe foi embora e então vieram os avós do meu marido conhecer a nova bisneta (pasmem, a décima quinta!). Quando minha sogra estava prestes a voltar ao trabalho, minha mãe veio novamente. Faziam ballet na sala de casa, brincavam bastante, arrumavam brinquedos. Mas infelizmente um acidente doméstico com a minha avó fez com que minha mãe tivesse que ir embora depois de apenas 2 dias. Aos 10 dias da Alice a casa ficou vazia. Foi minha sogra, os bisavós e minha mãe embora de uma vez.

Eu, acomodada a ter sempre alguém dando atenção para as meninas, continuei com o celular na mão durante as muitas horas que eu amamento a Alice.

Teve mais um agravante: como eu preciso amamentar a noite, optei por colocar a Alice na minha cama esse primeiro mês (em um colchão anti-refluxo de berço e rolinho posicionador) e com isso as meninas perderam a chance de dormir comigo quase todas as noites. Mas para a Lala isso não era problema. A bichinha vinha a noite e se emaranhava comigo no resto de cama que sobrava (mesmo que só cabendo as duas abraçadas de conchinha).

Já a Bru, mais mocinha, aceitava e ficava no quarto dela. E foi justamente esse o problema. A Bruna estava ficando muito mais carente de atenção e sentindo mais essas mudanças. Ela deixa muito claro que está precisando de atenção, gruda um pouco mais, pede pra largar o telefone, pergunta: “que horas você vai brincar comigo?”, enquanto isso a Lala se afasta e brinca ali no mundinho dela. Um dia a Bru pediu para colocar o colchão no meu quarto e claro que colocamos. Num outro, eu havia colocado a Alice no bercinho ao lado da cama para dormirmos todos na minha cama.

Pra ajudar um pouco (#sóquenão), meu marido passou por um mês de entrega de projeto e não esteve muito presente a noite, horário em que as meninas “pegam fogo”. Chegou tarde muitos dias e virou madrugada trabalhando outros. O lado “bom” é que elas ficavam na minha cama até ele chegar.

Enquanto o pai não chega...
Enquanto o pai não chega…
Enquanto o papai trabalha...
Enquanto o papai trabalha…

Essa semana levei a Alice à consulta pediátrica e a médica perguntou se a Bruna era mais grudada em mim e como estavam se comportando (enquanto ela me abraçava a Lala brincava no consultório). Eu falei que ela estava carente e ela aconselhou a colocar a Alice “de lado” depois de amamentar e falar em voz alta que agora era a hora de brincar com a Bruna e a Clara e que a Alice ia ficar por exemplo com a minha funcionária. Mas não adianta só fazer, tem que verbalizar e deixar claro que aquele momento é dela.

Foi estranho ouvir porque aquilo parecia tão obvio e eu não estava fazendo. Eu já havia escrito um post aqui sobre como lidar com os ciúmes do irmão com a chegada do bebê (que eu apliquei com a Bruna quando a Clara nasceu), mas dessa vez percebi que eu não estava fazendo nada somente para ela a não ser coisas da rotina.

Essa noite novamente coloquei a Alice no bercinho e fizemos cama compartilhada. Durante a manhã – quando eu pensei em abrir o computador e trabalhar – chamei a Bru pra brincar, peguei umas cartas que ela estava na mão e jogamos Jogo da memória. Foram alguns minutos só eu e ela, olho no olho. Tenho certeza que foi muito especial. Chegando na escola ela praticamente me expulsou de lá pois tinha um passeio com a turma. Aiaiiiii, quanta independência. (Sério! Ela fechou minha boca com a mão empurrou o meu bumbum e disse que eu podia ir embora)

A Lala não participou do jogo da memória, mas como ela não vai à escola, posso fazer algo com ela a tarde e assim me dedicar um pouco mais à Bru de manha. Ela foi ao supermercado comigo outro dia, me acompanha nas idas aos correios e pode tirar o atraso durante o dia.

Não se iludam... foi só 1x no parquinho
Não se iludam… foi só 1x que a levei no parquinho a tarde

Só preciso mesmo diminuir a televisão em casa, mas vou parar de prometer e depois conto se/como fiz. Cansei de falar que comecei a fazer a rotina X aqui e não levar adiante. (Pois é, não levo. Eu sempre tenho que ter força de vontade sozinha, fazer rotina, dar jantar, banho, e colocar na cama, aí nessa hora o marido chega e todas acordam… é complicado né?! Tem que querer MUITO).

Tenho abusado muito do telefone e isso realmente precisa mudar. Quando fico usando o telefone – amamentando ou não – acabo largando as meninas sendo criadas pelos desenhos fofos que elas adoram no Netflix. Bom, mas o primeiro passo é assumir os erros e tentar melhorar, né?

E não, eu não estou me cobrando demais. Estava abusando mesmo. 😉

Ahhh! Quando ao papai. Sim, ele participa cada vez mais, graças a Deus. Durante a semana tem sido mais complicado por causa dos horários mas aos finais de semana ele prepara as refeições e se encarrega das baixinhas nessas horas que são o meu terror! hehehe (acho que é trauma meu da introdução alimentar)

Bom, é isso pessoal!!!! Aprendam com os meus erros e compartilhem os acertos aí pra eu aprender também.

Bjosss

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.