No Brasil, estima-se prevalência de 2,4% a 7,2% de gestantes com diagnóstico de diabetes. (1)

Alguns médicos solicitam o exame somente quando há indícios de que a paciente tenha propensão a diabetes, mas a recomendação dos órgãos internacionais como a ADA (American Diabetes Association) é que a triagem seja feita para todas as mulheres entre 24 e 28 semanas de gestação.

Quais são as pacientes de risco?

As pacientes de risco são: (3)

  • pacientes com história familiar de diabetes em parentes de primeiro grau;
  • índice de massa corporal pré-gravídico (IMCPG) ou no primeiro trimestre ≥ 25 kg/m2;
  • diabetes gestacional prévia ou antecedente de intolerância à glicose em gestação prévia;
  • perdas gestacionais de repetição;
  • hipertensão arterial sistêmica (HAS);
  • diagnóstico de polidrâmnio (aumento de líquido amniótico) e macrossomia (excesso de peso do recém-nascido)
  • óbito fetal/neonatal sem causa determinada
  • antecedentes de má-formação fetal, hipoglicemia neonatal, síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido (RN)
  • síndrome dos ovários policísticos
  • excessivo ganho ponderal materno

Como é feito o diagnóstico?

O TOTG (Teste Oral de Tolerância a Glicose) é indicado após o sexto mês de gestação. É feito em laboratório e geralmente é necessário agendamento prévio.

Nele a paciente deve ingerir 300mL de um concentrado de 75g de glicose após coleta da glicemia em jejum. São avaliados 3 valores: Glicemia em Jejum, Glicemia após 1h e Glicemia após 2h. Se houver alteração em um dos valores o médico já deve tratar como Diabetes Gestacional.

Referências do laboratório.
Referências do laboratório


Porque fazer os testes para diagnóstico de Diabetes gestacional depois de 24 semanas?

A Diabetes gestacional aparece geralmente após 24 semanas de gestação pois o Hormônio Lactogênio  Placentário (HLP), secretado pela placenta, se encontra em maior quantidade no organismo depois desse período e ele bloqueia parcialmente a ação da insulina, responsável por levar a glicose do sangue para as células. Quando o pâncreas não consegue suprir essa demanda maior de insulina, ela acaba não sendo suficiente. Dessa forma, com menos insulina “trabalhando”,  a glicose fica por mais tempo circulante na corrente sangüínea.

Minha experiência:

Apesar de não não apresentar nenhum indício de Diabetes Gestacional (no meu caso: bebê com baixo peso, líquido amniótico normal, ganho de peso na gravidez abaixo do esperado) tive diagnóstico de diabetes gestacional, portanto eu acredito que deve ser feito sim por todas as gestantes.

 

Como tratar a Diabetes Gestacional?

A dieta e exercícios físicos são fundamentais para o controle da glicemia. Os pães e massas de farinha branca devem ser substituídos por integrais, os refrigerantes, açucares e doces cortados da alimentação, as frutas com alto índice glicêmico evitados. Sucos de frutas também não são indicados. A prática de exercícios aeróbicos é fundamental, mas deve ser orientada pelo médico ou profissional que acompanha.
Em casos mais graves pode ser necessária a aplicação da insulina.

Quais as consequências de uma Diabetes Gestacional?

O excesso de açúcar no sangue faz com que o bebê também receba mais açúcar através da placenta e isso pode fazer com que ele ganhe um peso excessivo. Com isso há o aumento do líquido amniótico. Com a estimativa de peso do bebê elevada, há o aumento do número de indicações de cesariana por muitos médicos por ser um parto “mais difícil”, mas a diabetes gestacional em si, a princípio, não é necessariamente indicação de cesariana.

Há um risco maior de partos prematuros quando a paciente não faz um tratamento adequado.

Após o nascimento há maiores chances do bebê apresentar hipoglicemia, icterícia e em alguns casos  problemas respiratórios. (4)

E depois da gestação?

A tendência na maioria das vezes é que a diabetes deixe de existir após o parto, entretanto mulheres com histórico de diabetes gestacional devem se cuidar para não desenvolver diabetes futuramente. Há recomendações de que o exame seja refeito depois de 6 semanas após o parto e seja repetido a cada 3 anos. (5)

Veja também:

– E a Intolerância a Glicose me pegou! 🙁 – Segunda gestação (nov/2012)

– A intolerância a Glicose e a dieta da nutricionista (dez/2012)

– 33 semanas com troca de médicadiagnóstico na terceira gestação (jun/2015)

– Intolerância a glicose não… Diabetes Gestacional! Conduta médica (jun/2015)

Espero que tenha ajudado!

Bjsss

Fontes:

(1) Scielo | (2) FetalMed | (3) ACM | (4) Babycenter | (5) ADA 2015 Guidelines | Imagem

 

 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.