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No mundo moderno, parece que o estresse é algo bastante comum e faz parte do nosso dia-a-dia. Correria, pressa, hiperatividade, necessidade de cumprir metas, otimizar o tempo, correr o mais rápido possível e afins são os elementos que compõem a rotina diária do mundo contemporâneo dos adultos. Mas será que são apenas os adultos que estão adotando esse “estilo de vida”? Diariamente, em meu consultório, ao conversar com meus pacientes mirins, escuto eles listarem uma série de atividades semanais semelhante a uma agenda de executivo. Eles não têm mais tempo para nada – é natação, judô, futebol, balé, inglês, reforço escolar, fono, pilates e, depois disso tudo, claro, terapia.

Como será que as crianças estão lidando com essa enxurrada de atividades diárias, sem contar os conflitos e mudanças naturais que fazem parte do desenvolvimento psicossocial?

O estresse é uma reação natural do organismo diante de um estímulo, situação de conflito, tensão e/ou de forte emoção, que pode acontecer com qualquer pessoa, independentemente de idade, raça, sexo e situação socioeconômica.

A reação do organismo ao estímulo estressor engloba três alterações corporais:

  • Fase Alerta: os estímulos estressores acontecem e interferem no indivíduo de maneira ainda superficial.
  • Fase de resistência: se o estímulo (estresse) persiste, é nesta fase que começam a aparecer as primeiras consequências mentais, emocionais e físicas do estresse. Perda de concentração, instabilidade emocional, depressão, palpitações cardíacas, suores frios, dores musculares ou dores de cabeça frequentes são os sinais, mas muitas pessoas ainda não conseguem relacioná-los ao estresse, podendo prosseguir até a sua fase final e mais perigosa.
  • Fase de exaustão: esta é a fase em que o organismo sofre diretamente os efeitos do estresse, levando à instalação de doenças físicas e/ou psíquicas.

Assim como os adultos, as crianças também irão reagir frente a eventos excitantes, irritantes, felizes, amedrontadores, que exigem adaptação por parte dela, o que inclui mudanças psicológicas, físicas e químicas.

Quando a criança é colocada frente a um evento estressante, seja ele bom ou ruim, ela entra em estado de alerta, ocorrendo assim, um preparo em “lutar” ou “fugir”. Mas, a partir do momento que ela não consegue solucionar o conflito e este continua existindo, a criança “adoece” em resposta à exaustão.

Alguns “sinais” que indicam que a criança possa estar sofrendo estresse:

– ansiedade, terror noturno (pesadelos), dificuldades de relação interpessoal, introversão repentina, desânimo, insegurança, baixa autoestima, agressividade, choro excessivo, comportamentos regressivos (rastejar pelo chão ou apresentar comportamentos de idade inferior a atual), angústia, depressão, hipersensibilidade, birra e medo excessivo sem explicação.

Podem também ocorrer reações físicas tais como:

– dores na região abdominal, diarréia, tique nervoso, dor de cabeça, náusea, dificuldade para respirar e palpitações mesmo parado, enurese noturna (xixi na cama), gagueira, tensão muscular, bruxismo (“ranger os dentes”), distúrbios do apetite (falta de apetite ou comer em excesso) e hiperatividade.

Um das maiores fontes do estresse infantil refere-se à família (brigas, separações, castigos, agressões, parentes ou pais enfermos, acidentes, abuso sexual, abandono, dinâmica da casa, acesso a cenas fortes – filmes, novelas, etc), escola (preconceito, o famoso bullying, rejeição dos colegas, agressão física e verbal, humilhação, ameaças, fantasias, ansiedade, desatenção, etc) e relacionamentos interpessoais (amigos, colegas, primos, tios, tias e parentes em geral).

Relembrando o post sobre família, não devemos esquecer que para a criança pequena a família oferece proteção, carinho e apoio e, por isso, o estresse gerado pelo mundo externo ou mesmo pelas dificuldades emocionais do ser humano será reduzido quando uma família coesa e acolhedora existir. A depender de cada caso, procurar um profissional (normalmente um psicólogo) para ajudar a criança e a família é uma boa opção.

Mamães e papais, fiquem ligados! Aliás, tentem desacelerar um pouco a vida das crianças, elas precisam ter uma infância viva e bem tranquila… na medida do possível, é claro.

Sobre Lilian Britto

Graduada em Psicologia pela Universidade Salvador – UNIFACS e pós-graduada em Psicologia Analítica pela Psiquê - Centro de Estudos C. G. Jung, atua como psicóloga clínica com crianças e adolescentes. Além de coordenadora de cursos da Clínica Psiquê, presta trabalho voluntário na Fundação Lar Harmonia junto a crianças carentes. Apesar de ainda não ser mamãe, é apaixonada por crianças e, por isso, dedicou e dedica a sua formação profissional nesse fantástico mundo infantil.