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Ainda em clima de Natal, o post de hoje será sobre a vida em FAMÍLIA. Ela é considerada um espaço indispensável para a garantia da sobrevivência, desenvolvimento e proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo, materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes.

A família desempenha papel decisivo na educação formal e informal, e, em seu espaço, são absorvidos os valores éticos e humanitários, aprofundando os laços de solidariedade. Uma das tarefas principais da família é promover a transmissão da descendência da experiência acumulada pelas vivências individuais e coletivas, proporcionar ambiente adequado para a aprendizagem, bem como facilitar o intercâmbio de informações e preparação para o exercício em sociedade.

A dinâmica familiar repousa em quem exerce os papéis parentais, os quais seriam os responsáveis pela formatação biopsicossocial da descendência, de acordo com o modelo proveniente de gerações anteriores. Assim, os pais influenciam — em certa medida — o comportamento dos filhos e, ao mesmo tempo, a conduta destes modifica e condiciona a atitude dos pais; é um sistema de troca. Por exemplo, a cada fase de vida dos filhos, estes exigem de seus pais atitudes de acordo com o que estão vivendo; da mesma forma, os pais exigem e esperam comportamentos de acordo com a idade de seu filho. Desse modo, as funções na família não são compartimentos estanques ou de atribuição exclusiva dos papéis familiares. O exercício dessas funções não é uma via de mão única, e sim um constante processo de trocas, mutualidades e interações afetivas.

À medida que a criança cresce e suas necessidades mudam, a família também deverá mudar. Com o aumento de sua capacidade, a ela devem ser dadas mais oportunidades de decisões e autonomia. Os adultos têm a responsabilidade de cuidar, proteger e socializar as crianças, porém têm também direitos – os pais têm o direito de tomar decisões que estão relacionadas à sobrevivência do sistema como um todo, em assuntos tais como mudança de domicílio, seleção de escola, imposição de limites, determinação de regras, preservação da privacidade do sistema conjugal e determinação de qual papel a criança desempenhará no funcionamento familiar.

A responsabilidade dos pais é ordenar a própria vida de tal maneira que ela não represente tanto dano para os filhos. Em geral, o que atua sobre a criança são os fatos e não as palavras, e, por isso, os pais deverão estar sempre conscientes de que eles próprios, em determinado caso, constituem a fonte primária e principal para os conflitos emocionais de seus filhos. Dentro da família, a criança terá os aspectos de seu desenvolvimento afetados pelas interações.

A influência familiar na personalidade alcança níveis profundos na psique individual de cada membro. É a partir das bases adquiridas na vida em família que o indivíduo vai construir suas primeiras referências simbólicas, sua auto-imagem, sua configuração psíquica com a qual iniciará sua vida de relações. A família precisa ser sempre repensada, já que ela exerce grande responsabilidade na formação do ser.

Sobre Lilian Britto

Graduada em Psicologia pela Universidade Salvador – UNIFACS e pós-graduada em Psicologia Analítica pela Psiquê - Centro de Estudos C. G. Jung, atua como psicóloga clínica com crianças e adolescentes. Além de coordenadora de cursos da Clínica Psiquê, presta trabalho voluntário na Fundação Lar Harmonia junto a crianças carentes. Apesar de ainda não ser mamãe, é apaixonada por crianças e, por isso, dedicou e dedica a sua formação profissional nesse fantástico mundo infantil.